Gisela Rao http://giselarao.blogosfera.uol.com.br Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Sun, 22 Mar 2020 13:21:43 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Tenho asma e meu nome virou “Grupo de Risco” http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/03/22/tenho-asma-e-meu-nome-virou-grupo-de-risco/ http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/03/22/tenho-asma-e-meu-nome-virou-grupo-de-risco/#respond Sun, 22 Mar 2020 07:00:17 +0000 http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/?p=434

Imagem: www.FreePik.com – Raw Pixel

Tive minha primeira crise de asma aos 5 anos. É nessas horas que você vê o que sofre uma caçula de cinco irmãos, porque a crise começou quando dormi no que havia restado para mim: o colchão no tapete meio embolorado de um hotel no Rio. O peito começou a chiar como se eu tivesse engolido uma gataiada, o que fez minha irmã número 4 – a pisciana – chorar ao meu lado, coitada.

A segunda vez foi em uma pousada em São Tomé das Letras, em Minas Gerais. Eu tinha uns 20 anos e a pousada parecia um queijo gorgonzola, com mofo pra todo lado. Se não fosse meu namorado da época ter uma bomba de asma, eu estaria agora junto com os ETs que o povo diz que dão um rolezinho por lá.

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Ter asma é um pé no saco. Você nunca sabe o que starta. No meu caso, pode ser desde a morte da minha mãe ao missoshiro do restaurante japonês.

Nunca liguei muito pra ela. Tipo: jamais pensei que fosse morrer de asma, até a escritora Fernanda Young morrer de asma. Aí virou um pega pá capá”. Comecei a viajar com uma farmacinha maior que a mala, com tudo que era treco: bomba de ar, bomba de cápsulas, inalador portátil, não-portátil. E, sim, me recuso a turistar em lugares na casa do carai, cujo único hospital fica depois de subir e descer três montanhas.

Agora, no entanto, danou-se de vez. Com o corona, mudaram meu nome para Grupo de Risco.

  • Não vá no velório do seu sobrinho [há duas semanas], você é grupo de risco!
  • Grupo de risco vai vacinar primeiro contra a gripe
  • Vamos devolver seu dinheiro pois entendemos que a senhora é grupo de risco e teve que vazar da Itália rapidinho (Alitalia)

Pior que o medo de ter uma doença crônica é o pavor do povo me lembrando o tempo todo de que sou grupo de risco e que minha chance de morrer, se pegar corona, é a mesma de não ganhar na loteria. Outro dia tive asma de nervoso e não porque me entupi de ovos de Páscoa.

Calma, gente, vamos com calma. Agradeço a preocupação, mas o Universo é sábio e o destino, soberano. Estou me cuidado, quase usando um escafandro, e o que tiver que ser será. E, sim, parei de ouvir as tragédias diárias. Agora, só vejo bobagem na Netflix e vídeos de pessoas cantando na janela ou almoçando junto”, cada um em sua varanda, na Itália. Afinal, solidariedade e alegria continuam sendo coisas que jamais teremos medo de nos contagiar.

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Nunca estamos preparados para a morte de um jovem http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/03/15/quando-um-jovem-morre/ http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/03/15/quando-um-jovem-morre/#respond Sun, 15 Mar 2020 07:00:38 +0000 http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/?p=378

Foto: www.freepik.com – rawpixel

Eu estava comendo pudim, no restaurante, quando minha irmã ligou chorando para avisar que meu sobrinho Sergio, de 30 anos, tinha morrido de AVC, na porta do prédio. Além da boca instantaneamente seca, olhei para o meu marido com uma cara que o fez pedir a conta na hora, sem precisar de nenhuma palavra.

Há alguns meses eu fiz um curso sobre cuidados paliativos, no qual tive uma pincelada sobre o luto. Nunca imaginei, no entanto, que meu primeiro estágio seria tão rápido – e com uma pessoa tão jovem e amada.

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Domingo passado se transformou em um dos mais densos filmes do gênero drama rachado em duas telas: a família do pai (meu irmão) e a família da mãe.

Quando cheguei à casa onde estavam minhas irmãs, todas as paredes estavam pintadas de sofrimento. Não havia sobrado um osso sequer na alma de qualquer uma delas. Eram três mulheres que se curvavam de dor, ao mesmo tempo, num choro gutural que vinha das cavernas mais profundas e inexploradas das entranhas.

O silêncio presente foi uma das coisas que aprendi, sobre o luto, com o psicólogo Rodrigo Luz. E foi nesse doloroso silêncio que consegui me centrar e, com calma, abraçar profundamente quem estava estilhaçada.

Meu irmão estava vindo de Ubatuba e nos comunicávamos, no WhatsApp, por emojis – como o do coração partido e o do rosto amarelinho que deixa escapar uma lágrima só. Às vezes, uma palavra errada fura a delicada bolha de sabão dos sentimentos à flor da pele.

Mais tarde, fui ao prédio onde estava a família da mãe do meu sobrinho. Serginho estava deitado no sofá do salão de festas, onde outrora se esbaldou em festas de aniversário. Ele estava lindo e cobertinho por uma manta, como se a mãe quisesse aquecer o filho que ela não mais poderia embalar fisicamente. Foi nessa hora, íntima e humana, que pude me despedir dele e que recebi a dura incumbência de vasculhar seus bolsos para pegar seus pertences.

A adrenalina é clemente. E diante de tantas coisas práticas a se fazer nessa hora, deixa a ficha pairando no ar. Ficha essa que eu sabia que em breve cairia como a lâmina de uma guilhotina no coração da mãe.

Estudar sobre a morte me ensinou também a ver a beleza oculta nas coisas. Talvez isso soe estranho, mas nesse caleidoscópio de sutilezas, mesmo na pior das adversidades, consegui lembrar à mãe da maravilhosa jornada espiritual que ambos fizeram juntos nesses dois anos, quando Sergio estava focado em ressignificar a vida. Por um mistério do destino, ele foi se confessar três dias antes. É como se Deus, o Universo, a Grande Energia – chame como quiser – estivesse preparando ambos para a hora de descer na última estação de embarque.

Nessa noite, à espera do que se intitula desgraçadamente de “transporte de cadáveres, uma gata da rua, muito linda, entrou no prédio. Ela ingressou no salão de festas e foi observá-lo. Foi enxotada delicadamente, voltou e fez o mesmo percurso. Para os egípcios, os gatos têm o poder de guiar a alma dos mortos.

Velório de gente jovem é triste ao quadrado. Metade dos amigos se afogando em lágrimas, os mais velhos se consolando. É um casamento às avessas: tem padre, comida, gente que chora, gente que ri, gente que não vemos há muitos anos. Todos nos lembrando que o tempo passa e a impermanência é o cara” – mas todo mundo sabe que, no final, nosso vazio existencial será um pac-man devorando nosso coração. E, nossa, como os mantras ajudam nessa hora!

Mas isso também passará: a dor aguda vai virar crônica e a saudade ficará dando match com as boas lembranças.

Não, caixão de jovem não deveria ser de madeira escura, e nem rodeado de flores. Deveria, sim, ser recheado de games, skate, celular, pendrives com música, essas coisas todas que compõem a alegria da vida dessa juventude zero transviada.

Eu sei que sua jornada vai ser linda, sobrinho querido e companheiro de tantos hehehes. Juro que achei que estava levando esse luto na flauta, até perceber que estava dormindo há três dias com o urso encardido da infância, acredita? Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança e pega-me tu ao colo e voa, parça, voa, o céu está aberto. O caminho é esse…

O Belo se foi. Deixou para trás as cores confusas, o verão perdido, as ruas trôpegas, o espelho órfão, o ar escasso. Foi-se o brilho na sala, o calor do abraço, o olhar intenso, o carinho no enlace das mãos, a alegria da face. Deixou paixões atordoadas, os amores perplexos, os pares atônitos e seus anjos desnorteados. Nosso menino lindo está agora entre a copa das árvores, no som das chuvas, cachoeiras, riachos… Está no frescor dos ventos, na beleza e no perfume das flores. No calor do sol e na luz das estrelas. Está sereno, doce e eterno no aconchego do coração de cada um de nós. – Adriana Cochrane Rao

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O amor nos tempos do coronavírus http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/03/08/o-amor-nos-tempos-do-coronavirus/ http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/03/08/o-amor-nos-tempos-do-coronavirus/#respond Sun, 08 Mar 2020 07:00:51 +0000 http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/?p=347

foto: www.FreePik.com – Valeria Aksakova

A volta superantecipada da viagem à Itália, que planejei por três anos, por causa do coronavírus me fez passar, em uma semana, por todas as cinco fases do processo do morrer™️ descritas pela psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Parece exagero, diante de situações bem piores, mas cada um sabe a dor que tem.

Sofri pela perda dos sonhos, expectativas, dinheiro, desencontro com meus queridos amigos de lá etc etc etc. Mas não teve jeito: me pelei de medo quando descobri que o seguro de viagem não cobria doenças epidêmicas. Com o passar dos anos, a gente vai mesmo se sentindo mais vulnerável e o cag$#@ aumenta.

O que me ajudou a expurgar essa tristeza foi falar maciçamente sobre o que passei e o que a Itália, minha paixão, está vivendo com o furacão coronavírus. Dizem que é conversando que as mulheres se curam. Nem todo mundo teve saco de ouvir, mas agradeço aos mais pacientes hehe.

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Depois de respeitar meu “luto”, aí, sim, voltei ao meu bom humor de cada dia. Gravei um vídeo divertido no Instagram e comecei a ver a beleza oculta das coisas. Entenda por beleza os tais pequenos gestos que nos lembram que – aconteça o que acontecer – somos da mesma raça humana e #tamojuntos.

Se de um lado tem gente tirando o preconceito do armário, tratando mal os chineses ou querendo expulsar do condomínio quem apresenta os sintomas da doença, do outro, tem um arco-íris de gentilezas que salpica cores e amor nas adversidades cinzentas da vida.

Tem amor na caixa de doces que a colega de trabalho deixou na minha portaria para achocolatar minha quarentena voluntária, sem sintomas.

Tem amor no choro compassivo da minha quase-filha Rafa Miranda quando soube que eu tive que voltar de viagem.

Tem amor nos mantimentos que as pessoas estão mandando para as cidades isoladas no Norte da Itália.

Tem amor na mensagem de solidariedade que o papa Francisco mandou para quem está chumbado com a doença.

Tem amor nas palavras de preocupação, direcionadas aos brasileiros que estão fazendo turismo no país, vindas da comunidade “Viagem à Itália – Dicas“, da Ana Maria Savoia.

Nápoles – Arquivo pessoal

Tem amor nos vídeos motivacionais que os torcedores do time italiano de futebol Pianese, em quarentena, enviaram aos jogadores.

Tem amor na hashtag ItáliaÉmaisLindaQueSeuMedo que uma publicitária criou, na faixa, pra dar um help aos guias de lá.

E até tem amor no aperto de pé engraçado que os italianos, proibidos de darem abraços e apertos de mão,  inventaram.

Se o amor não cura, mana, pelo menos alivia, né, não?

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Brasileiros vindos da Itália: os novos chineses http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/03/01/brasileiros-vindo-da-italia-os-novos-chineses/ http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/03/01/brasileiros-vindo-da-italia-os-novos-chineses/#respond Sun, 01 Mar 2020 07:00:32 +0000 http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/?p=313

Foto: www.FreePik.com

Cheguei à Itália domingo passado, no dia em que Veneza cancelou o seu tradicional Carnaval em função do coronavírus. As 72 horas que se seguiram foram algumas das mais tensas da minha vida. A história toda começou no aeroporto romano, com os policiais e profissionais de saúde – todos protegidos – medindo a temperatura dos passageiros. Me senti na série Chernobyl”.

Em Roma, alguns turistas estavam de máscara, principalmente os chineses – povo altamente mal visto naquela hora, naquele lugar, coitados. Dava pra sacar nitidamente o sorriso amarelo das vendedoras quando algum oriental entrava na loja, o desconforto das pessoas ao lado deles no trem e, principalmente, os palavrões que os taxistas italianos esbravejavam sobre os chineses quando falávamos do assunto do momento. Nas ruas, independentemente da nacionalidade, as pessoas se olhavam como se estivessem desconfiando umas das outras, do tipo: “Será que ela está infectada?. Dose…

Mas, por outro lado, muita gente jovem feliz, nem tchuns para a situação, tirando selfie na Fontana di Trevi e nos lugares lindos maravilhosos de Roma.

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Durante esses três primeiros dias meu estresse foi aumentando: um monte de amigos mandando WhatsApp perguntando como eu estava, as notícias da mídia local falando sobre a progressão dos casos confirmados no Norte, os jornais brasileiros mostrando o número de casos suspeitos chegando da Itália, além de um boato de que o Brasil poderia, em breve, exigir atestado de quarentena dos turistas vindos de países de alto risco. Ou seja: a Itália tinha entrado na lista treta do coronavírus. E eu também!

Decidi voltar antecipadamente com uma dor terrível no peito – não causada pelo vírus, mas porque planejei essa viagem por três anos. Motivos não faltaram:

  • Tenho asma crônica e me deu um tremendo cag$%@ permanecer por lá em um momento de epidemia ligada à doenças respiratórias.
  • Peguei dengue em New Orleans (EUA) – quando fui escrever sobre o primeiro Carnaval pós-Katrina – e garanto que ficar doente fora do seu país é uma experiência lascada.
  • Fiquei com medo do bloqueio aos turista vindos da Itália como está acontecendo, por exemplo, em Israel.

Não aconselho ninguém a entrar em pânico nessas horas, porque é aí que você faz besteira. Não consegui falar com a Alitalia para mudança de data, então comprei um bilhete de volta ao Brasil pela TAP, mas coloquei a data errada – e isso me deu uma baita dor de cabeça e uma multa dos diabos.

No avião, metade dos passageiros estava de máscara, mas, claro – eita! –, tiravam para comer. Minha mochila estava carregadas de álcool gel, desinfetante, própolis e o cara@ a quatro. Na fila do passaporte, no aeroporto de São Paulo, mais tensão com a turma que tossia e espirrava.

Entramos aliviados no Uber e o motorista perguntou: Vocês não vieram da China, não, né? Porque quando vejo passageiro de olho puxado, cancelo na hora. Credo! Mal sabia ele que viemos do terceiro país mais infectado neste momento.

Chegamos em casa e, mesmo sem sintomas, resolvemos fazer quarentena por conta própria, para proteger a sociedade just in case e para evitar problemas de preconceito como o que está sofrendo um amigo brasileiro que visitou Veneza e mora em Paris. Sim, turistas vindo da Itália são os novos chineses!

Reproduzo aqui um pedacinho do relato dele no WhatsApp: Estou pensando em fazer quarentena também, porque estou cansado da palhaçada desse povo, no trabalho, que fica me olhando com aquela cara de ‘o que que essa pessoa está fazendo aqui? e com raiva de mim como se eu fosse o próprio coronavírus. Mas isso é bom para eu aprender a ter humildade porque eu também atravessei pra outra calçada quando vinha chinês passando. Ai, gente…

Mas, veja, não quero convencer ninguém a desistir de ir à Itália, principalmente os jovens, que tiram tudo de letra. A grande maioria das coisas está funcionando normalmente e o país até dói de tão lindo. E, ah sim, pretendo voltar pra lá este ano.

E pra não dizer que só deu ruim na viagem, curtimos adoidado o dia em que passamos em Napoli. Comemos a verdadeira pizza napolitana, chafurdamos em becos artísticos e em lojas divertidas.

Afinal, o mar não está pra peixe, mas não perdemos o rebolado jamais.

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Por que estamos com preguiça de transar? http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/02/23/por-que-estamos-com-preguica-de-transar/ http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/02/23/por-que-estamos-com-preguica-de-transar/#respond Sun, 23 Feb 2020 07:00:18 +0000 http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/?p=302

Foto: www.freepik.com

Lembrei que fazia tempo que a gente não transava quando saí do banho, com a toalha enrolada na cintura, e meu marido gritou: Peito!!!. Sim, tipo o Tarzã na cidade grande olhando, sei lá, para uma máquina de refrigerantes pela primeira vez.

Tudo começou quando parei a pílula por causa da idade e comecei a associar sexo com perigo-perigo-perigo, como o robô de Perdidos no Espaço. E  a coisa é que nem academia: a gente falta um dia, falta outro e danou-se! – não vai mais e ainda morre com a grana do plano semestral.

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Mas, às vezes, o buraco é mais embaixo – e juro que não quis fazer trocadilho. A preguiça sexual pode significar também vários outros lances. Por exemplo:

1) Tem coisa demais acontecendo ao mesmo tempo na vida e isso cansa a gente. Talvez você não saiba, mas a maior parte da energia que perdemos é pelos olhos e – ôxe! – não desgrudamos do celular nem da Netflix. Fora que trabalhamos, atualmente, no mínimo por duas pessoas. Vamos dar folga para o celular? Há quanto tempo você não olha nos olhos do seu love?

2) Muitas vezes tratamos o marido que nem filho ou que nem pai e, fora o Norman Bates (da série Bates Motel), ninguém quer transar com seus progenitores. Prato cheio para terapia.

3) Pode ser coisa física mesmo: falta de nutrientes, hipotireoidismo, depressão etc etc. É bom fazer check-up. Descobri que minha vitamina D estava no talo :/

4) Talvez o sexo não seja a coisa mais prazerosa da vida das mulheres. Em uma pesquisa na Inglaterra, as inglesas disseram que trocariam fácil um ano de sexo por compras no shopping patrocinadas. Que tal comprarem juntos uns brinquedinhos eróticos? Prazer em dose dupla (hehe).

5) Muitas mulheres têm baixa autoestima e ficam com vergonha de mostrar o corpo na transa. Meu Deus, quantas vezes me peguei escondendo o traseiro com as mãos para ir ao banheiro depois do balacobaco? Não se preocupe: na hora em que os hormônios começam a desembestar, o que menos importa são as gorduretes.

6) Rotina de casamento muitas vezes sucks. Vira uma coisa meio “Feitiço do Tempo, aquele filme onde o repórter acorda e acontece sempre tudo igual, dia após dia. Ei! Invente, tente, faça diferente! Vão viajar! Outro cenário, outra cama, outro tudo.

7) Oh, yes, falta de grana brocha. Mas lembre-se: sexo é de graça e ajuda a amenizar a tensão.

8) Botar a culpa na menopausa me lembra a história da vaquinha. O monge e o discípulo pedem abrigo em uma casa muito pobre, onde só tinha uma vaquinha, sustento da família. O monge joga a vaquinha do barranco, para a indignação do discípulo. Um ano depois, voltam e a família está muito próspera. Isso porque eles começaram a se virar mais, a enxergar outros horizontes. Às vezes arrumamos vaquinhas, muletas, porque é mais fácil ficar na zona do conforto. Não bom, não bom.

Seja lá qual for o motivo, é legal conversar sobre o assunto. Acredite: simplesmente o fato de falar de sexo já pode ser um superafrodisíaco.

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Não espalhe o “coroa vírus” no Carnaval http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/02/16/nao-espalhe-o-coroa-virus-no-carnaval/ http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/02/16/nao-espalhe-o-coroa-virus-no-carnaval/#respond Sun, 16 Feb 2020 07:00:42 +0000 http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/?p=285

Foto: www.FreePik.com – drobotdean

Passei vergonha nesta semana. Postei uma matéria sobre um sujeito que vive há anos em uma caverna, com wifi e tudo, e escrevi: Invejinha branca. Não demorou um minuto para receber um whats de uma amiga dizendo que o termo era racista e que isso não combinava comigo. Mano, gelei! Jamais poderia imaginar e apaguei correndo. E esse é o perigo: o de nem imaginar.

Pois é, não paramos para imaginar como as consequências podem afetar as pessoas – e é aí que vou chegar no Carnaval. Ontem vi um post no Instagram com o texto: Se você tem dor nos joelhos, não consegue mais ler mais de perto e está faltando memória, você tem o Coroa Vírus. Achei engraçado e já ia passar pra frente, mas lembrei do post da invejinha que eu mesma havia feito e refleti como um texto desses ocupa o lado ruim da força – e como a ficha não cai na hora. Primeiro porque brincar com o coronavírus, que está causando tanto sofrimento, não tem graça nenhuma. Depois porque post sobre os maduros sempre é tirando sarro ou depreciando.

Cace$@, somos bem mais que dores e memória traiçoeira. Então para que espalhar isso?

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No mesmo dia, ouvi a Maju Coutinho, da TV Globo, recomendar aos foliões que evitem fantasias racistas, se vestir de mulher (no caso dos homens) e coisas do tipo porque isso fere a dignidade de muitas pessoas. Tenho então umas ideias aqui. Você pode se vestir de:

  • Orelha do Mickey – para protestar contra a fala ridícula do ministro Paulo Guedes, que disse que, com dólar barato, até empregada doméstica ia para a Disney.
  • Baleia ou golfinho – para fazer uma homenagem à Greenpeace que o presidente chamou de porcaria.
  • Mapa da América Latina – em homenagem aos imigrantes, incluindo os brasileiros, que o Trump está chutando pra fora dos EUA.

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Alexia, paixão é a cracolândia do amor! http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/02/09/alexia-paixao-e-a-cracolandia-do-amor/ http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/02/09/alexia-paixao-e-a-cracolandia-do-amor/#respond Sun, 09 Feb 2020 07:00:50 +0000 http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/?p=269

Foto: www.freepik.com – jannoon028

Ô, pai, quantas e quantas vezes a gente não ouve a mesma história: a miga gamou, xonou, suspirou, pirou na batata e depois teve que catar os cacos do coração debaixo do sapato e colar um por um com Super Bonder. Sim, tipo a Alexia (Deborah Secco), da novela das 7 da Globo, “Salve-se Quem Puder”. Alexia vai passar as férias em Cancún e se apaixona  loucamente por Renzo (Rafael Cardoso) quando ele sai com a musculatura bronzeadona do mar. E, claro, a coisa esquenta sob o sol do Caribe. Ai, que lindo. Mas tem um detalhe: Renzo é do lado ruim da força, bandidão. É treta, truta.

E Alexia agora está em um Programa de Proteção à Testemunha por causa de um rolo que deu, claro, envolvendo o love. E mesmo assim, repito, mesmo assim ela tenta justificar que ele não é tão mau quanto parece. Isso me lembrou a história do “Barba Azul”,  um cara que matava suas esposas. Ele começa a namorar uma mocinha e as irmãs dizem: “Cuidado! Ele tem a barba azul!”. E ela responde: “Ah, não é tão azul assim…”. Pois é, quase se lascou toda.

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É por essas e outras que eu digo que a paixão é a cracolândia do amor. A gente vicia, se perde, fica cega para a realidade, zumbeta, muda de personalidade em função do outro, esquece que tinha vida própria, gruda de unhas e dentes na ilusão que cria para tentar suprir carências e vazio existencial. Depois que a coisa dá toda errada, e geralmente dá porque nos apaixonamos pela ilusão que criamos e não pelo ser humano em questã0, ficamos o bagaço da laranja do fim da feira.

Acho que posso contar pelo menos uns 365 dias da minha vida em que fiquei sofrendo por paixão. E vou dizer algo que vai dar quebradeira: se as mulheres não perdessem tanto tempo sofrendo por paixão, já teríamos dominado o mundo (haha).

É claro que, com o passar dos anos, a gente já saca que não é pra botar todas as fichas em um lance só, damos muito mais importância para os nossos sonhos, projetos pessoais, propósitos, amizades, fortalecemos nossa autoestima etc etc. Deixamos de colocar o love no centro do nosso Universo, e entendemos que é só mais um planeta girando na nossa órbita. Já estamos mais maduras pra sacar de cara quem é roubada. Mas isso é uma coisa que só a vida mesmo vai ensinando. E como disse minha amiga psicóloga Neiva Bohnemberger: parceiros/parceiras são como barcos que nos levam cada vez  mais até a margem do nosso autoconhecimento.

Então vamos tentar ir com mais calma nas escolhas – sem deixar de prestar atenção quando uma amiga puxa seu vestido e diz: Hei! A barba dele é azul!”.

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Por que não sabemos cobrar por nosso trabalho? http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/02/02/por-que-nao-sabemos-cobrar-por-nosso-trabalho/ http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/02/02/por-que-nao-sabemos-cobrar-por-nosso-trabalho/#respond Sun, 02 Feb 2020 07:00:28 +0000 http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/?p=252

Foto: www.freepik.com

Na semana passada, me peguei fazendo quase a mesma coisa louca do meu pai: dar o guarda-chuva para alguém depois que passasse a chuva só pra não ter que carregá-lo.

Pois é, fui criada em uma família com essa singularidade e cresci tendo uma superdificuldade em dar valor pro dinheiro. E isso inclui não saber, até hoje, cobrar pelo meu trabalho.

Se você está se sacudindo na cadeira e falando sozinha “Eu também não sei!”, “Eu também não sei”, chega junto que vamos resolver essa bagaça de uma vez por todas.

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Sim, nem todo mundo sabe cobrar pelo trabalho e esse perrengue acontece por alguns fatores, como esse familiar de cima que citei, por falta de autoestima e achar que seu trabalho não é tão bom assim e quem o contrata deve ser adorado por você (é, isso rola no amor também), por falta de conhecimento de quanto profissionais como você valem no mercado ou por excesso de ingenuidade.

Como? É, a gente não foi muito preparada pra entender essas estratégias do capitalismo, em que todo mundo meio que precisa ser um jogador.

Saca a diferença: uma grande empresa americana viria para o Brasil e sondou um amigo meu para ser diretor. Ele cobrou o preço que achava justo e acabaram contratando outro, que não deu conta do recado. Telefonaram de novo para o meu amigo e ele disse: “Now it is more expensive!” (Agora é mais caro!).

E comigo? Bom, uma vez uma empresa me sondou e perguntou meu preço. Eu queria muito trabalhar nessa empresa, e respondi: “Não se preocupe com isso, eu tenho uma vida simples” Ai, Jesus, juro que escapou. Quando desliguei quase me enforquei com o fio do telefone.

Então, se você não tem essa manhas, vou dar duas dicas que me ajudaram muito na lambança da vida profissional:

1) Fale com um cara que é bom nisso

Tenho um amigo — Alexandre Pellaes — que te sacode e diz para parar de achar que você não merece, para parar de se apegar à energia da “escassez” e mandar ver na da “prosperidade”. Que você pode, sim, perder a vergonha de ser julgado por cobrar o que você acha que deve. E que você pode e deve ser bem sucedida, comprar o que quer, sem culpa e sem medo de ser feliz. Vamos deixar pra lá aquele lance de ser mais fácil o camelo passar pelo buraco da agulha do que o rico dar um rolê no reino dos céus? Vamos passar pelo buraco — e sentadas no camelo, ainda por cima!

2) Se não consegue dar seu preço na hora, invente um sócio imaginário

Diga que você precisa, primeiro, conversar com ele para alinhar. O meu é o Bill Gates (hahaha). Depois, você vê quanto o seu trabalho vale no mercado ou conversa com seu amigo fera que vai poder te ajudar.

Tamo juntas na coisa toda do merecimento?

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Por que não fotografar nua aos 50? Se implicarem comigo, eu tiro a caixa! http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/01/26/por-que-nao-fotografar-nua-aos-50/ http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/01/26/por-que-nao-fotografar-nua-aos-50/#respond Sun, 26 Jan 2020 07:00:00 +0000 http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/?p=235

Foto: Bob Wolfenson Graffiti: Gabriel Rao

Pensa em duas brasileiras que souberam ficar ma-ra-vi-lho-sas depois dos 50. Pois é, Claudia Raia e Carolina Ferraz, para comemorar a forma como honram e respeitam seus corpos, postaram fotos nuas na mídia e, opa!, muita gente caiu matando. Então, me pergunto: o que diabos as pessoas têm a ver com o corpo alheio?

Podem argumentar que é aquele lance da “síndrome de hater”. O conjunto de sintomas dessa síndrome inclui: inveja crônica, necessidade de se autoafirmar aguda, problemas com a própria sexualidade, crises de necessidade de “diminuir o outro” para ver se  consegue sentir-se um pouco melhor porque a pessoa acha que dói ser anônimo etc etc.

O engraçado é que dei um giro, no Google, em matérias falando sobre homens famosos que posaram nus e não tinha ninguém descendo a lenha. Trata-se portanto de um pratinho feito de preconceitos: porque é mulher, porque tem mais de 50 anos, porque é famosa.

Veja também:

Mas a coisa fica mais doida ainda: há uns três anos, eu tirei essa foto aí de cima para a capa de um livro que se chamaria “Minha Vida Sem Photoshop”. O livro acabou não rolando e eu a postei no Facebook. Teve gente que ficou chocada porque eu estava pelada.

Por isso, vamos lá: 1) Eu não estou pelada, quem está como veio ao mundo é a caixa de papelão. 2) Eu estou de collant cor da pele dentro da caixa. 3) Cazzo, e se eu estivesse pelada? 4) Meu joelho direito não parece o Chewbacca, do Guerra nas Estrelas?

Há uns dias, só para zoar, postei a mesma foto no meu Instagram @giselarao50mais. Escrevi: “Já implicaram com Claudia Raia, acima de 50, fotografando pelada. Implicaram com a Carolina Ferraz, acima de 50, fotografando pelada. Se implicarem comigo, tiro a caixa, hein?!”

Cara, foi muito divertido! Uma galera pedindo para abrir mão da embalagem, criaram até a hashtag #giselaforadacaixa. É bom saber que tem gente que vibra no positivo, no humor e que, sim, concorda com o fato de que é muito bom ficar pelado-nu-com-mão-no-bolso como se ninguém estivesse vendo.

Tamo juntas?

#EnvelhecerSemPhotoshop

#EnvelhecerSemVergonha

#VigilantesDaAutoEstima

Face & Insta: @giselarao

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O dia em que deu match entre meu corpo e eu http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/01/19/o-dia-em-que-deu-match-entre-meu-corpo-e-eu/ http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/2020/01/19/o-dia-em-que-deu-match-entre-meu-corpo-e-eu/#respond Sun, 19 Jan 2020 07:00:13 +0000 http://giselarao.blogosfera.uol.com.br/?p=222

Foto: FreePik.com

Então, meu apelido na infância era Olívia Palito, o crush do marinheiro Popeye. Eu era a famosa “tabuinha”, magrela de tudo. Entre essa fase da vida e hoje muita água rolou por esse corpão. Aos 18 anos, eu já tinha experimentado o incompreensível efeito sanfona várias vezes. Dava até para fazer dupla de forró com o Luiz Gonzaga. Era um engorda-emagrece sem fim. Eu começava a namorar em formato de violino e terminava o namoro, trombone. Coisas da herança genética do sul da Itália, talvez, misturada à  ansiedade nossa de cada dia.

Com o tempo, passei a não curtir nem um pouco esse Hopi Hari metabólico. Era quando eu colocava os homens no centro do meu universo. Então, eu achava que tinha que ficar magra eternamente, senão o caboclo me trocaria por outra mais curvilínea. Coisas da baixa autoestima.

Veja também:

Quando eu estava gorda, focava na beleza do meu cabelo: longo, castanho, lindo, mas refém da escova e da chapinha. Mana do céu, quantas vezes deixei de entrar na piscina pra não desmanchar o look.

Depois de muita terapia, fui me colocando no centro do meu universo e entendendo que tudo em volta eram planetas: homens, hobbies, amigos, trabalho, animais de estimação etc, e comecei a focar em projetos pessoais que me faziam ir até a pu%@ que pariu sem pestanejar, com uma energia que acho que vem do cosmos.

Em dois desses projetos, veio a revelação. E já te conto. Um deles, foi ficar dois meses morando no Congo, num calor de fazer inveja ao capeta. No outro, foi uma viagem à Russia com o palhaço-médico Patch Adams e mais 25 de algumas das melhores pessoas que conheci na vida. Mas eu tenho asma e, quando desci no aeroporto, a primeira golfada de ar congelou meus pulmões, já me dando um toque de que a jiripoca ia piar bonito.

Mas a revelação foi a de que o meu corpo era incrível demais para ser rotulado como bonito ou feio. Ele aguentou comigo tanto o calor da por%@ quanto segurou a onda na Rússia, só vindo a pedir arrego quando cheguei no Brasil. Aí fui direto para o PS tomar remédio pro pulmão avariado.

Sim, dei match com meu corpo. Saquei que o lance era respeitar, valorizar e, principalmente, agradecer esse relacionamento de 55 anos e curtir muito, mas muito esse pequeno grande parça. Hoje, temos uma história de amor, tipo música kitsch, “My Endless Love”, do Lionel Richie. O que não quer dizer que, às vezes, quando me olho no espelho, depois de uma noite muito mal dormida, eu não me pergunte “Eita, diacho, onde foi que eu errei” haha.

E, sim, parei de ser refém da escova e da chapinha 😉

Foto: Emi Takahashi

Tamo juntas?

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#EnvelhecerSemVergonha

#VigilantesDaAutoEstima

Face & Insta: @giselarao

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