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"Nossa! Como você era magra": manter a autoconfiança hoje é esporte radical

Gisela Rao

24/11/2019 04h00

Foto: Heather Ford/Unsplash

Então, pessoa que falou isso ao ver uma foto minha de 30 anos atrás: a gente engorda com o tempo, sabe? E olha só que legal: um dos motivos é que, quando envelhecemos, nosso metabolismo fica mais lento por uma questão de sobrevivência, para estocar gordura caso, sei lá, o nosso avião caia e a gente tenha que dividir a caverna com o Pé Grande ou com o Chewbacca. Portanto, o certo é falar: "Uau! Como você anda estocando gordura bem pra caso seu avião caia ou seu navio afunde".

É impressionante como as pessoas vão tentando reduzir a gente ao rótulo "Nossa!" Passamos a vida ouvindo: "Nossa! Como o seu cabelo era lindo!", "Nossa! Como você se vestia bem", "Nossa! Como você viajava bastante". Gente, a por#@ toda muda, estamos sempre mudando. Sério, dá vontade de falar: "Nossa! Como você é chata pacarai". É por essas e outras que resolvi ajudar as mulheres, criando o movimento Vigilantes da AutoEstima, porque manter a autoconfiança alta, nos dias de hoje, é um esporte radical (como diz minha amiga Mariska).

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Para manter o mesmo corpo da juventude, depois dos 50, precisa ser uma Mulher-Do-Comercial-De-Leite-Em-Pó-Desnatado, ou seja: aquelas gentes que almoçam uma saladinha indecente e andam na praia usando tons-pastéis às 6 da matina –depois de uma sessão de ioga onde ficam uns 37 minutos morcegando de ponta-cabeça. Sério, nada contra, mas a essa hora minha alma nem voltou pro corpo ainda, corpo este nocauteado pela pizza de calabresa e gorgonzola, com Fanta-Guaraná, da noite anterior

Mas a gente vai aprendendo uns macetes, como, por exemplo, que o muro emagrece.  Essa semana, tive que tirar uma foto nova e é aí que entra o muro-parça. Nas escadas rolantes da vida, aprendi com a Silvia Poppovic que foto boa se tira de cima pra baixo. E como fazer se a fotógrafa é menor que eu? Põe a japonesa no muro!

Sim, fiz minha amiga Emi Takahashi passar pelos arbustos, cactos e plantas carnívoras do playground do prédio dela para sentar na mureta e dar o clique. Embora meus pés-de-galinha estejam lá, o papo-peru-da-Sadia –que a gente herda após os 50– está mais, digamos, acomodado.

E as manchas da idade? Ah, bom, foto profissa que é foto profissa pede maquiagem. Não é à toa que os italianos chamam make de "trucco". Mas, veja, sou eu, continuo sendo eu. E por que não põe Photoshop de uma vez? Porque eu acho brega. Photoshop é um mentiroso compulsivo que faz a gente acreditar que a fonte da juventude existe com apenas um clique… Até o colega do trabalho perguntar se é sua irmã caçula na foto :/

Acredite, vai de muro! Tamo junto?

#EnvelhecerSemPhotoshop

#EnvelhecerSemVergonha

Insta: @giselarao

Sobre a Autora

Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Publicitária e escritora, é “porta-bandeira” dos temas sexo e autoestima, trazendo para a comissão de frente algumas das grandes pedras-no-scarpin femininas. Teve os programetes “Repórter Rao” e “A Monja e Emotiva” (UOL) e foi colaboradora das revistas e jornais: Folha de S.Paulo, Jornal da MTV, Época, Marie Claire, SPFW Journal, Isto É Gente, UMA, VIP, Bons Fluidos, Viagem & Turismo e TOP Destinos. É autora dos livros “Sex Shop”, “Tchau, Nestor” e ‘Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei”. Opa! Não desligue ainda, tem mais: foi fundadora do Movimento Vigilantes da AutoEstima e uma das idealizadoras da ONG Estou Refugiado.

Sobre o Blog

A ideia desse blog é trazer um “Ufa!” para os perrengues da “classe” 50+: corpo, preconceitos, paúras, relacionamentos, medo de morrer, sexo... num tom divertido, autobiográfico e gente-como-a-gente. #EnvelhecerSemPhotoshop