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Série da Netflix ajuda a entender por que os relacionamentos não dão certo

Gisela Rao

21/06/2020 04h00

Divulgação Netflix

Eu devia ter uns dez anos quando rolou o meu primeiro "blind date", vulgo encontro à cegas. Eu estudava à tarde no colégio e me comunicava com o carinha da manhã por bilhetinhos enfiados na canaleta da carteira. É, não tinha Tinder, Badoo nem cace$@ a quatro.

A gente se escreveu por muito tempo e resolvemos nos encontrar lá pro meio-dia de uma sexta-feira. Me arrumei toda e fiquei esperando… E o tal carinha não apareceu :/ Então, o meu primeiro encontro foi só um "blind" e não um "date". No dia seguinte, um amigo dele escreveu que ele tinha pego hepatite ou sei lá que diabos e nunca mais nos falamos. E até hoje não sei se foi verdade ou se a criatura não gostou do que viu.

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Minha história de encontros às cegas não parou por aí porque eu nunca curti muito ficar sozinha, reflexo de um pai ausente e de uma autoestima de palha. Comecei com anúncios de candidatos que saíam no jornal Folha de S.Paulo, depois passei para sites de namoro. Conheci gente pra caramba e de todos os jeitos que você possa imaginar.

Algumas pessoas roubavam no jogo, mandando fotos de 20 anos atrás, e outras na vida mesmo, como um descendente de orientais muito gato com quem saí por duas vezes e (felizmente!) logo descobri que era estelionatário.

Nesse momento, estou casada há oito anos, portanto nem sei o que é Tinder, mas acredito que as tretas continuem até hoje, como também deve ter muita gente legal. É só ficar com um olho no gato e outro no peixe haha.

Nessa semana, a Netflix me fez relembrar de todos os meus encontros no escuro com a chegada da segunda temporada de "Dating Around", vulgo "Namoro, Amizade ou Adeus". É um reality show legal pra caramba. Primeiro, porque mostra a diversidade desse mundão humano: héteros, gays, lésbicas, brancos, latinos, asiáticos, negros procuram um par para as suas Havaianas. E, segundo, porque todas as pessoas são sempre muito interessantes, ao contrário de trecos como o BBB.

Mas o mais legal é já sacar no ato por que os relacionamentos não dão certo. E a resposta é simples: porque ninguém ouve ninguém: 90% dos pretendentes, no reality show, não deixam o outro terminar a frase e já atropelam para completar o raciocínio. E, quando você faz isso, desvalida o que a outra pessoa está sentindo e precisa expressar. Além disso, todo mundo fica procurando desesperadamente por qualidades em comum.

Na boa, quer saber minha opinião para relacionamentos darem certo, fora o pretendente ser bom ouvinte? Procure por defeitos em comum! São os defeitos que nos unem, e não as qualidades. Porque aí você tem a certeza de que a pessoa, além de ser boa de escuta, não ficará reclamando na sua orelha.

Obrigada por ter lido o post. Te espero nos comentários!

#VigilantesDaAutoEstima #EnvelhecerSemVergonha 

Insta: @gisela.rao  Face: https://www.facebook.com/giselacochranerao/

Sobre a Autora

Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Publicitária e escritora, é “porta-bandeira” dos temas sexo e autoestima, trazendo para a comissão de frente algumas das grandes pedras-no-scarpin femininas. Teve os programetes “Repórter Rao” e “A Monja e Emotiva” (UOL) e foi colaboradora das revistas e jornais: Folha de S.Paulo, Jornal da MTV, Época, Marie Claire, SPFW Journal, Isto É Gente, UMA, VIP, Bons Fluidos, Viagem & Turismo e TOP Destinos. É autora dos livros “Sex Shop”, “Tchau, Nestor” e ‘Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei”. Opa! Não desligue ainda, tem mais: foi fundadora do Movimento Vigilantes da AutoEstima e uma das idealizadoras da ONG Estou Refugiado.

Sobre o Blog

A ideia desse blog é trazer um “Ufa!” para os perrengues da “classe” 50+: corpo, preconceitos, paúras, relacionamentos, medo de morrer, sexo... num tom divertido, autobiográfico e gente-como-a-gente. #EnvelhecerSemPhotoshop