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2020 e as férias frustradas de todo mundo

Gisela Rao

28/06/2020 04h00

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Sou milionária de emoções. Minha mãe até tentou me incentivar a guardar dinheiro para comprar um apê, mas eu sempre achei que gastar em viagens era bem mais interessante. Talvez por ter um espírito mais pra cigarra do que pra formiga, se a gente se basear na fábula de La Fontaine.

Viajei pra muitos e muito cantos. Mesmo assim, achei que neste ano eu faria a viagem da minha vida. Guardei dinheiro por 1.095 dias para visitar as terras dos meus antepassados: Itália e Escócia. Estava crente de que rolaria um "Sob o Sol da Toscana" (da diretora Audrey Wells, onde a protagonista se esbalda na região italiana), mas rolou mais um "Férias Frustradas", com o Chevy Chase.

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Eu tinha 17 dias de viagem programados, mas voltei no quarto porque a jiripoca começou a piar na Itália por causa do coronavírus, e eu me pelei de medo. Fiquei tão nervosa com as notícias da covid-19 e com um amigo italiano gritando que fechariam as fronteiras que acabei comprando outra passagem com o mês errado e, depois, pra trocar, tive que pagar uma multa indecente :/ 100% frustração. E Buda já dizia: muita expectativa gera frustração, que gera sofrimento.

Mas não foram só as minhas férias que ficaram a ver navios. Ontem, na página do Facebook  Viagem à Itália – Dicas, uma moça perguntou se alguém estava pretendendo viajar para lá neste ano. E 90% responderam: só quando tiver vacina contra a covid-19! Bom, e quando voltarem a aceitar brasileiros, né? Então, amiga, lembre-se de colocar máscara e vacina na sua nécessaire, junto com seu batom e protetor solar, na sua próxima viagem.

Mas não foi a primeira vez que tive férias frustradas, Não falta perrengue em viagem. Uma vez fui escrever sobre os cem anos da Times Square, em Nova York, para uma revista de turismo. No meu primeiro almoço, mordi um biscoito da sorte chinês e quebrei um dente. Já vi que ia dar mer%@.

Fui numa loja de roupa básica e juntei camisetas de baciada até chegar ao caixa e descobrir que eu havia trazido o cartão de crédito errado e sem saldo na viagem. Fiquei uma semana comendo cachorro-quente. Um amigo americano, com pena, me convidou para jantar em um restaurante japonês. Comi carpaccio de salmão, tive uma alergia e fiquei com os olhos como se tivesse brigado com o Mike Tyson. Passei a noite no pronto-socorro.

Mas o tiro de misericórdia veio com meu urso de pelúcia, que tenho há 30 anos e levo em viagens como talismã da sorte. Ele nunca tomou banho porque gosto do cheiro da infância (eu sei, mas de perto ninguém é normal). Cheguei à casa onde eu estava hospedada e a empregada tinha lavado o urso com amaciante tipo Pompom. O urso encardido virara um poodle perfumado. Juro que achei que o avião fosse cair depois dessa por%@ toda que aconteceu haha.

E o episódio macaca louca? Lembra da Monga, a mulher-gorila? Pois é… Uma vez, em uma viagem pela América Latina, sentei numa muretinha pra ver o espetáculo. Na hora em que a mulher vira o bicho ensandecido e desgovernado, esqueci que estava no muro e me esborrachei no chão. Passei o resto da viagem mancando.

Mas, com perrengue ou sem perrengue, com máscara ou sem máscara, viajar ainda é um dos grandes prazeres da vida. E tem muitas opções caso você tenha pouca grana. Existem sites com ofertas de outros viajantes que emprestam um sofá ou quarto para dormir, sites com ofertas de pessoas que querem viajar e não têm com quem deixar o animalzinho, casas de família que oferecem cama e comida em troca de algumas horas de trabalhinhos…

Mesmo frustrados, certamente ainda haveremos de ver novos horizontes após a epidemia. Afinal, como diz o navegador Amyr Klink: "O pior naufrágio é nunca partir".

Obrigada por ter lido o post. Te espero nos comentários!

#VigilantesDaAutoEstima #EnvelhecerSemVergonha 

Insta: @gisela.rao  Face: https://www.facebook.com/giselacochranerao/

Sobre a Autora

Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Publicitária e escritora, é “porta-bandeira” dos temas sexo e autoestima, trazendo para a comissão de frente algumas das grandes pedras-no-scarpin femininas. Teve os programetes “Repórter Rao” e “A Monja e Emotiva” (UOL) e foi colaboradora das revistas e jornais: Folha de S.Paulo, Jornal da MTV, Época, Marie Claire, SPFW Journal, Isto É Gente, UMA, VIP, Bons Fluidos, Viagem & Turismo e TOP Destinos. É autora dos livros “Sex Shop”, “Tchau, Nestor” e ‘Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei”. Opa! Não desligue ainda, tem mais: foi fundadora do Movimento Vigilantes da AutoEstima e uma das idealizadoras da ONG Estou Refugiado.

Sobre o Blog

A ideia desse blog é trazer um “Ufa!” para os perrengues da “classe” 50+: corpo, preconceitos, paúras, relacionamentos, medo de morrer, sexo... num tom divertido, autobiográfico e gente-como-a-gente. #EnvelhecerSemPhotoshop