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Já que viajar é uma viagem hoje, lembro 3 vezes em que ri muito nelas

Gisela Rao

31/05/2020 04h00

www.freepik.com – jcomp

Eu sei que viajar está na lista de um monte de gente aqui quando abrirem a porteira desse mundo veio de novo. Enquanto isso, a gente viaja nas viagens de quem viajou. Além de seguir blogs e canais no YouTube de pessoas que moram fora do Brasil, também fico me divertindo contando, aos amigos, minhas próprias histórias, colocadas na bagagem da memória na época em que escrevi para duas revistas de turismo.

Pegue seu passaporte e vem comigo!

Veja também

1- Fosdinovo e o castelo mal-assombrado

Divulgação

O Castelo Malaspina fica na província de Massa-Carrara, na Itália, e já viu de tudo nessa vida, incluindo dominação nazista. Ele é conhecido por ser mal-assombrado e fui lá conferir, já que herdei um pouco de mediunidade da minha mãe.

Meu marido e eu chegamos antes do horário de check-in e fomos recebidos por uma senhora de pantufas com um microcachorro, que gritou de cima da ladeira: "Vengaaaa!". Entendi que era pra gente entrar.

O castelo é um espetáculo, com uma vista maravilhosa, mobília preservada de séculos atrás e muito, muito lugar para explorar, incluindo um quarto que foi usado por Dante Alighieri em uma das suas viagens. Aproveitei pra me esfregar bem na cama que ele dormiu na esperança de receber inspiração por osmose.

Bom, naquela tarde, às 6h, o staff que cuidava do castelo se mandou e nós ficamos sozinhos. Acho que a senhora da entrada e o cachorrinho pinscher também ficaram, mas só Deus e os fantasmas sabiam aonde.

O Castelo era muito no alto e, durante a noite, o vento esmurrava a porta e as janelas, o que já garantia um cag%$@ incrível. Fora isso, me deu um ataque de claustrofobia. Tive medo de o lugar pegar fogo e eu não saber sair. Acordei então meu marido para fazer o trajeto da saída comigo duas vezes "just in case", coitado.

Quando voltamos a dormir, senti um cutucão no ombro. Perguntei ao Beto: "O que é?". E ele respondeu sonolento: "O que é o quê?". Ai, Jesus, não tinha sido ele. Fui até a bolsa, com um medo da por%@,  e peguei o terço da minha mãe que sempre levo em viagem. Rezei um Pai Nosso pra garantir, mas não adiantou muito porque, durante a madrugada, vi um menino de uns 8 anos, de pijama e com um paninho na mão, pular meu marido, me pular e entrar pela parede. Toc, toc, toc, bate três vezes na madeira.

No dia seguinte, no café da manhã, encontramos a senhora de pantufas, com o microcão no colo, ouvindo o CD que eu tinha trazido e dançando Jorge Ben Jor. Inesquecível!

2- Corre-corre em Lucca

Foto: http://www.noticiasdabota.com

Lucca é uma cidade lindinha da Toscana. Resolvemos fazer um bate-volta, mas chegamos já de tarde. A ideia era conhecer a cidade, mas estava rolando um concerto com as árias de Puccini em uma igreja e entramos para escutar.

O concerto durou muito tempo e, quando saímos, já era umas 6h da tarde. Estava um frio dos diabos e resolvemos contornar a famosa muralha medieval, um dos pontos turísticos da cidade. Foi quando avistamos uma árvore linda, cheia de flores com uma revoada maravilhosa de andorinhas em torno dela. Chegamos perto para apreciar e… Não eram andorinhas, era uma morcegada doida voando para todo lado. Saí correndo tão rápido, e aos berros, que quase nem precisou de trem para voltar à Roma.

3- Agulhas em Moscou. Em Moscou?

Arquivo Pessoal

Você já deve ter ouvido falar sobre o Patch Adams, o médico-palhaço que começou a levar alegria aos hospitais e cuja história virou filme. Pouca gente sabe, mas ele também faz viagens humanitárias pelo mundo e pode ir quem quiser.

Há uns anos, fui com ele a Moscou (Rússia), junto com um bando de palhaços de vários países, para visitar orfanatos, casas de idosos que combateram na Segunda Guerra Mundial, hospitais etc.

Estava muito, mas muito frio, algo como 15 abaixo de zero, e minha imunidade deu uma degringolada. Como estou acostumada com medicina chinesa, resolvi procurar uma acupunturista. Putz, mas em Moscou? Pois é, consegui encontrar uma tailandesa que não entendia uma palavra do que eu dizia e vice-vera. Não, não tinha app de tradução por voz na época.

E pra explicar que meu yang-yin tinha desequilibrado e que meu "caminho das águas" tinha zoado? Sério, usei até uma laranja que ela tinha na cozinha pra tentar me comunicar.

A mulher era louca varrida e começou a falar um monte de coisa, enquanto passava nas minhas costas uma espécie de ralador de queijo de humanos (acho!). Foi nessa hora que aprendi tudo que foi palavrão em russo. Pqp, que dor. Eu não sabia se chorava ou se ria porque a coisa era muito bizarra: eu vestida de palhaça em Moscou, com uma tailandesa sentada em cima de mim e eu gritando em russo. Só por Deus, mas sarou, viu?

Obrigada por ler o post. Te espero nos comentários. 

#VigilantesDaAutoEstima  #EnvelhecerSemVergonha 

Insta: @gisela.rao  Face: https://www.facebook.com/giselarao

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Publicitária e escritora, é “porta-bandeira” dos temas sexo e autoestima, trazendo para a comissão de frente algumas das grandes pedras-no-scarpin femininas. Teve os programetes “Repórter Rao” e “A Monja e Emotiva” (UOL) e foi colaboradora das revistas e jornais: Folha de S.Paulo, Jornal da MTV, Época, Marie Claire, SPFW Journal, Isto É Gente, UMA, VIP, Bons Fluidos, Viagem & Turismo e TOP Destinos. É autora dos livros “Sex Shop”, “Tchau, Nestor” e ‘Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei”. Opa! Não desligue ainda, tem mais: foi fundadora do Movimento Vigilantes da AutoEstima e uma das idealizadoras da ONG Estou Refugiado.

Sobre o Blog

A ideia desse blog é trazer um “Ufa!” para os perrengues da “classe” 50+: corpo, preconceitos, paúras, relacionamentos, medo de morrer, sexo... num tom divertido, autobiográfico e gente-como-a-gente. #EnvelhecerSemPhotoshop