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Casei tão tarde que pensaram que o convite da festa era vírus

Gisela Rao

08/12/2019 04h00

Foto: Arquivo pessoal + www.freepik.com (vítrus)

Então, uma vez li em uma matéria que a chance de se casar depois dos 40 era menor do que a de levar um raio na cabeça, andando na chuva. Afe! Mas, comigo, não foi bem assim. Eu estava nos 47 do segundo tempo e solteira de novo havia mais de dez anos quando conheci o Beto. Confesso que já rolavam alguns dos sintomas  da "Síndrome de Bridget Jones", tipo um incrível medão de morrer sozinha e os amigos só perceberem três dias depois, quando dessem falta das minhas curtidas no Instagram ou quando a minha gata desse um escândalo.

A gente se conheceu depois de uma entrevista sobre meu livro na Jovem Pan. Besta nunca fui. Sempre deixava claro, nas entrevistas, que estava Tico-tico-no-fubá, Bandeira Livre e Sem Lenço e Sem Documento. Beto achou engraçado e me adicionou no Face. Meio que normal em época de entrevistas, mas todo dia vinha puxar assunto. Namoramos e resolvi casar depois de cinco meses, afinal, a gente já vê logo de cara quando o amor é facinho, sem joguete, sem complicação e o cara$#@ a quatro.

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Uma amiga criou o convite do casamento e mandei pelo messenger do Face para os amigos mais íntimos. O louco é que as pessoas começaram a me perguntar se era vírus hahaha. Ou seja: além de rolar o preconceito-nosso-de-cada-dia pelo fato de o Beto ser 14 anos mais novo, também chegava chegando a desconfiança sobre o casamento de uma mulher aos 47.

E também te falo: muita gente não botou fé, incluindo o meu pai que não foi à cerimônia porque disse que não iria durar. Fiquei triste, mas meu amigo Demetrio, lindo e maravilhoso, o substituiu, me levando até a fonte do restaurante italiano onde casamos, num dia bonitinho de sol. Pois é, meu pai já morreu, e nós estamos juntos há oito anos e nos damos bem pra caramba, "com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda".

E, se você quer saber o segredo disso, te conto: temos os mesmos defeitos. E é assim que você reconhece sua alma gêmea, pelos defeitos. Também temos o mesmo estilo de vida, apesar da diferença de idade. Somos eremitas noturnos, gostamos das mesmas séries no Netflix, da Itália, de castelos, ruínas, cemitérios antigos e de gente morta… Brincadeira (mentira!).

Tamo junto na hora de cag@$ para a opinião dos outros? Bora!

#EnvelhecerSemPhotoshop

#EnvelhecerSemvergonha

Insta: @giselarao

Sobre a Autora

Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Publicitária e escritora, é “porta-bandeira” dos temas sexo e autoestima, trazendo para a comissão de frente algumas das grandes pedras-no-scarpin femininas. Teve os programetes “Repórter Rao” e “A Monja e Emotiva” (UOL) e foi colaboradora das revistas e jornais: Folha de S.Paulo, Jornal da MTV, Época, Marie Claire, SPFW Journal, Isto É Gente, UMA, VIP, Bons Fluidos, Viagem & Turismo e TOP Destinos. É autora dos livros “Sex Shop”, “Tchau, Nestor” e ‘Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei”. Opa! Não desligue ainda, tem mais: foi fundadora do Movimento Vigilantes da AutoEstima e uma das idealizadoras da ONG Estou Refugiado.

Sobre o Blog

A ideia desse blog é trazer um “Ufa!” para os perrengues da “classe” 50+: corpo, preconceitos, paúras, relacionamentos, medo de morrer, sexo... num tom divertido, autobiográfico e gente-como-a-gente. #EnvelhecerSemPhotoshop