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Descobri os melhores antídotos contra o bullying

Gisela Rao

15/12/2019 04h00

Foto: freepik.com

Então, bullying é um sujeito que me persegue a vida toda, praticamente um stalker, chato pra cacete, e sem eu ter direito a pedir medida restritiva, tipo obrigar a ficar a, pelo menos, 500 metros de distância.

Tudo começou na infância, quando eu tinha uns 11 anos e o professor-anti-Cristo-de-História fazia a chamada assim: Francisco? Presente! Gilberto? Presente! Feiura? … Pois é, o Feiura era para mim. E, antes que você pegue o lenço de papel para as lágrimas, saiba que o menino mais fofo da escola vinha me consolar e acabava dando em namoro.

Depois, o bullying foi mudando. Passou da estética para meu déficit de atenção, para minha necessidade de usar roupas diferentes, para meus pensamentos extravagantes e minha forma singular de ver o mundo. Outro ápice foi quando comecei a escrever sobre erotismo. Eu tinha um blog, aqui no UOL, chamado Minha Vida Sem Sexo (porque meu namorado estava morando em Chicago). Um dia, um cara escreveu nos comentários: "Essa classe média vagabunda que só pensa em sexo". Eu respondi: "Ôpa! Vagabunda, sim, classe média, não!" Ha! O cara nunca mais voltou. Foi quando descobri que um dos antídotos para o bullying (e para tudo!) era o humor, o rir-se de si mesmo antes que algum palhaço o faça.

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Mas o tal stalker não se dava por satisfeito, e o bullying continuou me perseguindo pela vida. Uma vez, conheci um sujeito em um bar e ficamos de dar uma saída. Mas fui fuçar sobre ele no Google, e ele havia escrito que não podia controlar o fato de fazer mal às mulheres emocionalmente :/ :/ :/

Obviamente recusei o encontro, e o cara mandou uma mensagem assim: "Melhor mesmo porque seu nariz é horrível". Ai, Deus, eu ri tanto. E ri porque mal sabia ele que eu já tinha criado o Movimento Vigilantes da AutoEstima e que, ao longo dos anos, fui passando da autoestima de palha para a de madeira, para a de tijolaço… E, portanto, ofender meu nariz, ou qualquer outra parte do meu corpo, só fazia cosquinhas.

Hoje em dia, toda vez que alguém joga bullying no quintal lá de casa, tentando me ofender porque minha beleza ou meu corpo, aos 55 anos, não é mais o mesmo dos 20, eu jogo a ofensa no lixo não reciclável. Fico pensando que o ser humano bullyinista, oh, boy!,  não se tocou que o corpo e a beleza dele também não serão os mesmos e que ele não conhece meus antídotos para os ataques que também sofrerá porque, certamente, não é uma pessoa que aprendeu a rir de si mesma e muito menos a cultivar sua coletânea de qualidades –que chamo carinhosamente de autoestima verdadeira.

Tamo junto contra o bullying?

#EnvelhecerSemPhotoshop

#EnvelhecerSemvergonha

#VigilantesDaAutoEstima

Insta: @giselarao

Sobre a Autora

Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Publicitária e escritora, é “porta-bandeira” dos temas sexo e autoestima, trazendo para a comissão de frente algumas das grandes pedras-no-scarpin femininas. Teve os programetes “Repórter Rao” e “A Monja e Emotiva” (UOL) e foi colaboradora das revistas e jornais: Folha de S.Paulo, Jornal da MTV, Época, Marie Claire, SPFW Journal, Isto É Gente, UMA, VIP, Bons Fluidos, Viagem & Turismo e TOP Destinos. É autora dos livros “Sex Shop”, “Tchau, Nestor” e ‘Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei”. Opa! Não desligue ainda, tem mais: foi fundadora do Movimento Vigilantes da AutoEstima e uma das idealizadoras da ONG Estou Refugiado.

Sobre o Blog

A ideia desse blog é trazer um “Ufa!” para os perrengues da “classe” 50+: corpo, preconceitos, paúras, relacionamentos, medo de morrer, sexo... num tom divertido, autobiográfico e gente-como-a-gente. #EnvelhecerSemPhotoshop