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Manifesto em defesa dos não-amantes-de-academia

Gisela Rao

12/01/2020 04h00

Foto: www.FreePik.com

Quando eu era adolescente, tinha uma academia perto de casa. Ficava em cima da padaria e a mulherada do bairro ia lá para fazer suas atividades físicas. A única professora era mulher do goleiro Leão e, quando olhávamos para ela, lembrávamos das pernas dele, o que tornava tudo mais prazeroso. Mamma mia, que pernas!

Leão (Acervo e Memória da CBF)

Na sala, não tinha essa cacetada de aparelhos que existem hoje, mas a mulherada se divertia adoidado enquanto fazia exercício aeróbico e alongamento, todo mundo junto.

No ano passado, me matriculei duas vezes em uma academia fod* e cara aqui do bairro. Na primeira vez, desisti logo e achei que a culpa fosse do pecado capital da preguiça que me assombra e que eu deveria ser uma "loser" na definição dos americanos. Na segunda vez, saquei que não era minha culpa. Sim, esse tipo de lugar não foi feito pra gente como eu e você que está lendo essa matéria. E você vai entender o motivo.

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Na primeira aula, entrei no único lugar que parecia menos gelado da casa de três andares. Era uma sala vermelha, quente, com a música aos berros e um monte de gente com cara de sofrimento, incluindo a blogueira que aqui vos fala. Disseram que foi inspirada em um treinamento militar, mas parecia mais um bombardeio aéreo, um verdadeiro Deus nos acuda. Fique com a musculatura toda destruída, incluindo a da coluna :/

Tentei, então, aula de ioga. Acredite: foi pior ainda! Oitenta e cinco por cento da aula eram posturas musculares e a professora esquecia um pequeno detalhe: olhar para a performance dos alunos, a maioria longe de ter 20 anos. Saiu todo mundo esbodegado.

Machuquei meu corpo duas vezes!

Aí, me indicaram bicicleta. Povo, fala sério: bicicleta não foi feita para a anatomia feminina. Aquele banco duro é o cão chupando manga e parece que você está transando com o canhão de Navarone. E, não, a dor depois não compensa os breguetes que a gente sente no esfrega-esfrega no clitóris haha.

Aí, desisti de vez. Gente como nós, os não-amantes-de-academia, queremos representações do cotidiano. Queremos sala de ioga do riso, simulação de calçadas onde ajudamos velhinhas a atravessar a rua pra lá e pra cá, sala de patins com quatro rodas estilo clipe da Gloria Gaynor em "I Will Survive", ladeira pra voar no skate –se esborrachar e gargalhar da ousadia–, lugar para imitar os saltos dos cangurus da Austrália salvos pela WWF (World Wide Fund for Nature), raquetinha de praia, sala pra dançar como se ninguém estivesse vendo, como os caras do filme "Hair" e SEM coreografia. Sim, movimento livre, "oh boy", isso sim é vida.

Conclusão: me matriculei na escola de ioga, ando todos os dias ao som de "Gotan Project" e jogo raquete com meu marido.

Tamo junto nesse "Let the Sun Shine In "?

Te espero nos comentários 🙂

#EnvelhecerSemPhotoshop

#EnvelhecerSemVergonha

#VigilantesDaAutoEstima

Face & Insta: @giselarao

Sobre a Autora

Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Publicitária e escritora, é “porta-bandeira” dos temas sexo e autoestima, trazendo para a comissão de frente algumas das grandes pedras-no-scarpin femininas. Teve os programetes “Repórter Rao” e “A Monja e Emotiva” (UOL) e foi colaboradora das revistas e jornais: Folha de S.Paulo, Jornal da MTV, Época, Marie Claire, SPFW Journal, Isto É Gente, UMA, VIP, Bons Fluidos, Viagem & Turismo e TOP Destinos. É autora dos livros “Sex Shop”, “Tchau, Nestor” e ‘Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei”. Opa! Não desligue ainda, tem mais: foi fundadora do Movimento Vigilantes da AutoEstima e uma das idealizadoras da ONG Estou Refugiado.

Sobre o Blog

A ideia desse blog é trazer um “Ufa!” para os perrengues da “classe” 50+: corpo, preconceitos, paúras, relacionamentos, medo de morrer, sexo... num tom divertido, autobiográfico e gente-como-a-gente. #EnvelhecerSemPhotoshop