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Por que não sabemos cobrar por nosso trabalho?

Gisela Rao

02/02/2020 04h00

Foto: www.freepik.com

Na semana passada, me peguei fazendo quase a mesma coisa louca do meu pai: dar o guarda-chuva para alguém depois que passasse a chuva só pra não ter que carregá-lo.

Pois é, fui criada em uma família com essa singularidade e cresci tendo uma superdificuldade em dar valor pro dinheiro. E isso inclui não saber, até hoje, cobrar pelo meu trabalho.

Se você está se sacudindo na cadeira e falando sozinha "Eu também não sei!", "Eu também não sei", chega junto que vamos resolver essa bagaça de uma vez por todas.

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Sim, nem todo mundo sabe cobrar pelo trabalho e esse perrengue acontece por alguns fatores, como esse familiar de cima que citei, por falta de autoestima e achar que seu trabalho não é tão bom assim e quem o contrata deve ser adorado por você (é, isso rola no amor também), por falta de conhecimento de quanto profissionais como você valem no mercado ou por excesso de ingenuidade.

Como? É, a gente não foi muito preparada pra entender essas estratégias do capitalismo, em que todo mundo meio que precisa ser um jogador.

Saca a diferença: uma grande empresa americana viria para o Brasil e sondou um amigo meu para ser diretor. Ele cobrou o preço que achava justo e acabaram contratando outro, que não deu conta do recado. Telefonaram de novo para o meu amigo e ele disse: "Now it is more expensive!" (Agora é mais caro!).

E comigo? Bom, uma vez uma empresa me sondou e perguntou meu preço. Eu queria muito trabalhar nessa empresa, e respondi: "Não se preocupe com isso, eu tenho uma vida simples" Ai, Jesus, juro que escapou. Quando desliguei quase me enforquei com o fio do telefone.

Então, se você não tem essa manhas, vou dar duas dicas que me ajudaram muito na lambança da vida profissional:

1) Fale com um cara que é bom nisso

Tenho um amigo — Alexandre Pellaes — que te sacode e diz para parar de achar que você não merece, para parar de se apegar à energia da "escassez" e mandar ver na da "prosperidade". Que você pode, sim, perder a vergonha de ser julgado por cobrar o que você acha que deve. E que você pode e deve ser bem sucedida, comprar o que quer, sem culpa e sem medo de ser feliz. Vamos deixar pra lá aquele lance de ser mais fácil o camelo passar pelo buraco da agulha do que o rico dar um rolê no reino dos céus? Vamos passar pelo buraco — e sentadas no camelo, ainda por cima!

2) Se não consegue dar seu preço na hora, invente um sócio imaginário

Diga que você precisa, primeiro, conversar com ele para alinhar. O meu é o Bill Gates (hahaha). Depois, você vê quanto o seu trabalho vale no mercado ou conversa com seu amigo fera que vai poder te ajudar.

Tamo juntas na coisa toda do merecimento?

#EnvelhecerSemPhotoshop

#EnvelhecerSemVergonha

#VigilantesDaAutoEstima

Face & Insta: @giselarao

Sobre a Autora

Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Publicitária e escritora, é “porta-bandeira” dos temas sexo e autoestima, trazendo para a comissão de frente algumas das grandes pedras-no-scarpin femininas. Teve os programetes “Repórter Rao” e “A Monja e Emotiva” (UOL) e foi colaboradora das revistas e jornais: Folha de S.Paulo, Jornal da MTV, Época, Marie Claire, SPFW Journal, Isto É Gente, UMA, VIP, Bons Fluidos, Viagem & Turismo e TOP Destinos. É autora dos livros “Sex Shop”, “Tchau, Nestor” e ‘Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei”. Opa! Não desligue ainda, tem mais: foi fundadora do Movimento Vigilantes da AutoEstima e uma das idealizadoras da ONG Estou Refugiado.

Sobre o Blog

A ideia desse blog é trazer um “Ufa!” para os perrengues da “classe” 50+: corpo, preconceitos, paúras, relacionamentos, medo de morrer, sexo... num tom divertido, autobiográfico e gente-como-a-gente. #EnvelhecerSemPhotoshop