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Alexia, paixão é a cracolândia do amor!

Gisela Rao

09/02/2020 04h00

Foto: www.freepik.com – jannoon028

Ô, pai, quantas e quantas vezes a gente não ouve a mesma história: a miga gamou, xonou, suspirou, pirou na batata e depois teve que catar os cacos do coração debaixo do sapato e colar um por um com Super Bonder. Sim, tipo a Alexia (Deborah Secco), da novela das 7 da Globo, "Salve-se Quem Puder". Alexia vai passar as férias em Cancún e se apaixona  loucamente por Renzo (Rafael Cardoso) quando ele sai com a musculatura bronzeadona do mar. E, claro, a coisa esquenta sob o sol do Caribe. Ai, que lindo. Mas tem um detalhe: Renzo é do lado ruim da força, bandidão. É treta, truta.

E Alexia agora está em um Programa de Proteção à Testemunha por causa de um rolo que deu, claro, envolvendo o love. E mesmo assim, repito, mesmo assim ela tenta justificar que ele não é tão mau quanto parece. Isso me lembrou a história do "Barba Azul",  um cara que matava suas esposas. Ele começa a namorar uma mocinha e as irmãs dizem: "Cuidado! Ele tem a barba azul!". E ela responde: "Ah, não é tão azul assim…". Pois é, quase se lascou toda.

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É por essas e outras que eu digo que a paixão é a cracolândia do amor. A gente vicia, se perde, fica cega para a realidade, zumbeta, muda de personalidade em função do outro, esquece que tinha vida própria, gruda de unhas e dentes na ilusão que cria para tentar suprir carências e vazio existencial. Depois que a coisa dá toda errada, e geralmente dá porque nos apaixonamos pela ilusão que criamos e não pelo ser humano em questã0, ficamos o bagaço da laranja do fim da feira.

Acho que posso contar pelo menos uns 365 dias da minha vida em que fiquei sofrendo por paixão. E vou dizer algo que vai dar quebradeira: se as mulheres não perdessem tanto tempo sofrendo por paixão, já teríamos dominado o mundo (haha).

É claro que, com o passar dos anos, a gente já saca que não é pra botar todas as fichas em um lance só, damos muito mais importância para os nossos sonhos, projetos pessoais, propósitos, amizades, fortalecemos nossa autoestima etc etc. Deixamos de colocar o love no centro do nosso Universo, e entendemos que é só mais um planeta girando na nossa órbita. Já estamos mais maduras pra sacar de cara quem é roubada. Mas isso é uma coisa que só a vida mesmo vai ensinando. E como disse minha amiga psicóloga Neiva Bohnemberger: parceiros/parceiras são como barcos que nos levam cada vez  mais até a margem do nosso autoconhecimento.

Então vamos tentar ir com mais calma nas escolhas – sem deixar de prestar atenção quando uma amiga puxa seu vestido e diz: "Hei! A barba dele é azul!".

Tamos juntas?

#EnvelhecerSemPhotoshop

#EnvelhecerSemVergonha

#VigilantesDaAutoEstima

Face & Insta: @giselarao

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Publicitária e escritora, é “porta-bandeira” dos temas sexo e autoestima, trazendo para a comissão de frente algumas das grandes pedras-no-scarpin femininas. Teve os programetes “Repórter Rao” e “A Monja e Emotiva” (UOL) e foi colaboradora das revistas e jornais: Folha de S.Paulo, Jornal da MTV, Época, Marie Claire, SPFW Journal, Isto É Gente, UMA, VIP, Bons Fluidos, Viagem & Turismo e TOP Destinos. É autora dos livros “Sex Shop”, “Tchau, Nestor” e ‘Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei”. Opa! Não desligue ainda, tem mais: foi fundadora do Movimento Vigilantes da AutoEstima e uma das idealizadoras da ONG Estou Refugiado.

Sobre o Blog

A ideia desse blog é trazer um “Ufa!” para os perrengues da “classe” 50+: corpo, preconceitos, paúras, relacionamentos, medo de morrer, sexo... num tom divertido, autobiográfico e gente-como-a-gente. #EnvelhecerSemPhotoshop