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Não espalhe o “coroa vírus” no Carnaval

Gisela Rao

16/02/2020 04h00

Foto: www.FreePik.com – drobotdean

Passei vergonha nesta semana. Postei uma matéria sobre um sujeito que vive há anos em uma caverna, com wifi e tudo, e escrevi: "Invejinha branca". Não demorou um minuto para receber um whats de uma amiga dizendo que o termo era racista e que isso não combinava comigo. Mano, gelei! Jamais poderia imaginar e apaguei correndo. E esse é o perigo: o de nem imaginar.

Pois é, não paramos para imaginar como as consequências podem afetar as pessoas – e é aí que vou chegar no Carnaval. Ontem vi um post no Instagram com o texto: "Se você tem dor nos joelhos, não consegue mais ler mais de perto e está faltando memória, você tem o 'Coroa Vírus'". Achei engraçado e já ia passar pra frente, mas lembrei do post da invejinha que eu mesma havia feito e refleti como um texto desses ocupa o lado ruim da força – e como a ficha não cai na hora. Primeiro porque brincar com o coronavírus, que está causando tanto sofrimento, não tem graça nenhuma. Depois porque post sobre os maduros sempre é tirando sarro ou depreciando.

Cace$@, somos bem mais que dores e memória traiçoeira. Então para que espalhar isso?

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No mesmo dia, ouvi a Maju Coutinho, da TV Globo, recomendar aos foliões que evitem fantasias racistas, se vestir de mulher (no caso dos homens) e coisas do tipo porque isso fere a dignidade de muitas pessoas. Tenho então umas ideias aqui. Você pode se vestir de:

  • Orelha do Mickey – para protestar contra a fala ridícula do ministro Paulo Guedes, que disse que, com dólar barato, até empregada doméstica ia para a Disney.
  • Baleia ou golfinho – para fazer uma homenagem à Greenpeace que o presidente chamou de porcaria.
  • Mapa da América Latina – em homenagem aos imigrantes, incluindo os brasileiros, que o Trump está chutando pra fora dos EUA.

Tamos juntas?

#EnvelhecerSemPhotoshop

#EnvelhecerSemVergonha

#VigilantesDaAutoEstima

Insta: @giselarao – giselarao@gmail.com

Sobre a Autora

Gisela Rao é criadora e criatura de conteúdo, safra 64 – Ano do Dragão. Publicitária e escritora, é “porta-bandeira” dos temas sexo e autoestima, trazendo para a comissão de frente algumas das grandes pedras-no-scarpin femininas. Teve os programetes “Repórter Rao” e “A Monja e Emotiva” (UOL) e foi colaboradora das revistas e jornais: Folha de S.Paulo, Jornal da MTV, Época, Marie Claire, SPFW Journal, Isto É Gente, UMA, VIP, Bons Fluidos, Viagem & Turismo e TOP Destinos. É autora dos livros “Sex Shop”, “Tchau, Nestor” e ‘Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei”. Opa! Não desligue ainda, tem mais: foi fundadora do Movimento Vigilantes da AutoEstima e uma das idealizadoras da ONG Estou Refugiado.

Sobre o Blog

A ideia desse blog é trazer um “Ufa!” para os perrengues da “classe” 50+: corpo, preconceitos, paúras, relacionamentos, medo de morrer, sexo... num tom divertido, autobiográfico e gente-como-a-gente. #EnvelhecerSemPhotoshop